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Geografia do Japão

NATUREZA

UMA NAÇÃO ILHA

Um conjunto de ilhas com o formato de um arco. O Japão localiza-se a leste do Continente Asiático, entre o Mar do Japão e o Oceano Pacífico. Sua extremidade mais ao sul fica quase na mesma latitude que o meio do Deserto do Saara ou a extremidade sul de Cuba. Sua extremidade mais ao norte está quase na mesma latitude que o sul da França, o norte da Itália, Ottawa e Mineápolis. A Hora Padrão do Japão corresponde à do leste da Sibéria e à da Austrália, e está nove horas à frente de Londres GMT.
A área total de terra do Japão, aproximadamente 380.000 quilômetros quadrados, representa apenas cerca de 1/60 da área to­tal da União Soviética e menos de 1/25 da do Canadá, China ou Estados Unidos. Uma área comparável abrangeria a do Reino Unido e Tchecoslováquia combinados; Hokkaido seria pouco menor que a Áustria, e Kyushu é menor que a Holanda ou a Suíça. Por ser uma nação ilha, o Japão possui um longo litoral e uma grande área econômica costeira (estendendo-se por duzentas milhas náuticas a partir da costa), a sétima maior do mundo.

 A posição do Japão em relação ao restante do mundo pode ser demonstrada colocando-se o país no centro de um círculo com, por exemplo, um raio de 8.000 quilômetros. Tal círculo inclui a maior parte da Ásia, a União Soviética e a Austrália, no qual à parte leste dos Estados Unidos fica a cerca de 10.000 quilômetros de distancia, com a América do Sul e a África ainda mais distantes.

UMA RICA DIVERSIDADE TOPOGRÁFICA

UM TERRITÓRIO MONTANHOSO

O Japão como um todo se localiza dentro da zona neorogênica (de formação de montanhas) do Pan-Pacífico, formada como resultado da atividade de elevação ocorrida no final da Era Mesozóica e na Era Cenozóica. Assim, o país está sujeito a repetidos e violentos movimentos da crosta terrestre, causados pelas atividades sísmicas e vulcânicas. 

 Considerado a partir do fundo da Fossa do Japão, o país eleva-se a uma altitude de 10.000 a 14.000 metros. A área que aparece acima da superfície do Oceano Pacífico forma a área terrestre do Japão, e tem a aparência de uma grande cadeia montanhosa na forma de arco. Na verdade, 76% da superfície territorial do Japão é montanhosa e pontilhada por colinas, com apenas 14% dela tomando a forma de retalhos de planícies e bacias acomodadas entre essas elevações. Esta estrutura geográfica básica deve-se às falhas que dividem a maior parte do Japão como um mosaico, de forma que a terra ao longo delas continua a sofrer ainda hoje movimentos para cima e para baixo. Enquanto esses movimentos totalizam menos de uns poucos milímetros por ano, durante os 2.000.000 de anos do Quaterná­rio (o quarto período da Era Mesozóica), as montanhas elevaram-se até 1.500 metros. Devido ao fato da força de elevação ser superior ao total de erosão, montanhas nas cadeias de Hida, Akaishi e Kiso elevaram­-se, excedendo os 3.000 metros de altitude. Ainda reconhecíveis são os círculos formados entre montanhas (conhecidos popular-mente no Japão como "kar", palavra derivada do alemão) e os vales em forma de "U" escavados pelas geleiras durante a Idade do Gelo. A erosão causada pelas chuvas torrenciais que ocorreram no final da Idade do Gelo foi responsável pelos vales com a forma de «V», que deram a essas cordilheiras sua aparência acidentada e pela qual elas são conhecidas geologicamente como estando "nos seus primórdios". Na verdade, é a natureza acidentada dessas montanhas e sua semelhança com os Alpes Europeus que fez com que elas fossem denominadas de Alpes Japoneses.

VULCÕES ATIVOS

O Japão possui 67 vulcões "vivos" (ativos ou latentes), muitos deles com bases de encostas com pouca inclinação, como o in­comparavelmente belo Monte Fuji; eles representam um acentuado contraste com o cenário montanhoso primitivo dos Alpes Japoneses. Entre eles, o Asama, o Mihara, o Aso e o Sakurajima são particularmente ativos. O últimos deles, o Monte Sakurajima, tem entrado em erupção continuamente desde 1959, cobrindo com freqüência a cidade vizinha de Kagoshima com suas cinzas. A erupção de novembro de 1986 do Monte Mihara, localizado na pequena ilha de Oshima, a cerca de 100 quilômetros ao sul de Tóquio, e que estava silencioso há muito tempo, forçou a evacuação temporária da ilha. E o mais alto pico do Japão, o Monte Fuji (3.776 metros acima do nível do mar), embora esteja dormente, é um vulcão ainda relativamente jovem do ponto de vis­ta geológico, e, portanto considerado capaz de entrar em erupção.

PLANÍCIES ÁREAS COSTEIRAS

Em japonês, as áreas planas situadas ao longo da costa são referidas como planícies, e todas as outras são chamadas de bacias, embora na verdade muitas das "planícies" lembrem bacias do ponto de vista geográfico. As planícies japonesas espremidas entre as montanhas não podem ser comparadas com as vastas planícies do Continente Asiático ou de outros continentes. As planícies sedimentárias japonesas foram formadas de estratos do Quaternário e são ou afloramentos de planaltos diluviais de estratos da era diluvial ou planícies aluviais onde, a menos que seja contida por aterros, a sedimentação continua ainda hoje. As últimas têm geralmente a forma de um leque, como resultado de rios de grande força, e são sujeitas a avalanches de lama após grandes chuvas. Planícies deltaicas são encontradas apenas na embocadura de uns poucos grandes rios, como o Kiso. A linha costeira é pontilhada de acidentes geográficos, formados pelo afundamento gradual no mar de montanhas altamente erodidas. Em contraste, os mares quentes em torno de Okinawa têm recifes de coral em abundância. No interior do país, exemplos de topografia cárstica podem ser encontrados onde antigos recifes de coral foram trans­formados em afloramentos de calcário. Os exemplos mais notáveis são as cavernas de calcário na Província de Yamaguchi.

TREMORES FREQUENTES

O Japão está localizado numa área caracterizada por freqüente atividade de terremotos, mesmo em comparação com o cinturão de terremotos Pan-Pacffico. Ela responde por cerca de um décimo da liberação anual de energia sísmica em todo o mundo. Tremores que registram até 8 pontos na Escala Richter de magnitude ocorrem à maioria das vezes no leito oceânico ao largo da costa do Pacífico, mas ocasionalmente atingem o interior do país, como no caso do Terremoto de Nobi, ocorrido em 1891. Atualmente existe um consenso considerando que a localização mais provável para um futuro grande terremoto seria ao longo do leito oceânico nas vizinhanças da Baía de Suruga, e um grande sistema de coleta de dados foi instalado numa tentativa de prever o tremor. Mas na realidade, a ocorrência de terremotos de magnitude entre 6 e 7 pontos é possível em qualquer ponto do Japão; no caso de seu epicentro situar-se próximo à superfície da terra, a destruição resultante seria enorme. Além disso, grandes terremotos no leito oceânico ocasionam geralmente os chama­dos "tsunami", ou ondas de marés, que podem causar sérios danos a áreas costeiras de 20 a 30 metros de altitude.
Conforme mencionado, o Japão está passando por mudanças constantes, seja por causa de atividades vulcânicas ou sismológicas ou devido à erosão e à sedimentação provocadas pela alta taxa de chuvas. Como resultado, o país é rico em variedade como um jardim cuidadosamente preparado; mas, ao contrário de um jardim, ele está em contínua transformação.

UM CLIMA VARIADO

 O clima do Japão, com exceção do de Hokkaido, é o de um pais situado na Zona Temperada, com quatro estações bem definidas e dois períodos chuvosos antes e depois do verão.

INVERNO

O inverno é governado pela mais fria massa de ar do mundo, a massa de ar da Sibéria; como resultado, o Japão ocasionalmente experimenta temperaturas muito mais baixas que as áreas da Europa localizadas na mesma latitude. Em Asahikawa, Hokkaido, por exemplo, a temperatura já caiu até 41 graus abaixo de zero, e a média em janeiro é de oito graus e meio abaixo de zero, quase a mesma registrada em Moscou. Em Tóquio, que fica na latitude 35, a média e de 4,7 graus positivos, em comparação com Londres, que registra 4,2 graus positivos embora esteja na latitude 51.
O inverno certamente implica em neve. Ventos sazonais gelados sopram do oeste, trazidos pela zona de alta pressão da Sibéria, em direção à zona de baixa pressão existente sobre o mar ao largo da parte oeste de Hokkaido. Este vento seco aspira vapor d’água enquanto cruza o Mar do Japão e toma-se uma corrente de ar úmida e instável carregada de nuvens de neve. À medida que se elevam sobre as cadeias de montanhas do Japão, estas nuvens tornam-se ainda mais espessas, causando a queda de grande quantidade de neve ao longo da costa do Mar do Japão. Quando isto é complementado pela fusão com uma corrente de ar frio do Ártico, uma quantidade ainda maior de nuvens de neve é produzida, sendo possível a precipitação de até 2 metros de neve num período de 24 horas na região de Hokuriku. Em alguns invernos, já foi registrada a queda de até 20 metros de neve. Joetsu, uma cidade com população de 130.000 pessoas na Província de Nugata, registrou 324 centímetros de neve em janeiro de 1986 o suficiente para cobrir um prédio de um andar. No Japão cai uma grande quantidade de neve, quando se considera que o país situa-se na Zona Tempera­da.
Mesmo enquanto está nevando sobre o lado do país que fica diante do Mar do Japão, o céu geralmente está limpo no lado do Pacífico, e é comum que o tempo no inverno seja muito bom, particularmente na região de Kanto, onde fica Tóquio. Quando uma advertência sobre a queda de grande quantidade de neve é divulgada na região de Hokuriku, geralmente é feita uma advertência simultânea prevendo tempo extremamente seco em Kanto. Um passageiro pode pegar o Joetsu Shinkansen, um trem-bala, com tempo seco e ensolarado em Tóquio, e dentro de cerca de uma hora chegar a uma estação de esqui onde está nevando forte, a ponto de acumularem-se de 2 a 4 metros de neve cobrindo o chão.
O lado do Pacífico tem seus períodos ocasionais de queda de neve, ocasionados pelos ciclones extratropicais movendo-se no sentido leste para o sul do Japão; já foram registrados 46 centímetros de neve em fevereiro em Tóquio. As temperaturas atingem seu ponto mais baixo entre meados de janeiro e início de fevereiro. A mudança ocorrida com a chegada de temperaturas mais quentes começa por volta da época do equinócio de primavera, na parte final de março.

PRIMAVERA

A medida que a Massa de Ar Siberiana que governa o inverno japonês se enfraquece, anticiclones migratórios e ciclones extratropicais aproximam-se, trazendo por sua vez céu claro, que se alterna com chuvas leves. Isto representa o início da primavera, e as primeiras ameixeiras florescem, segui­das pelas cerejeiras a finalmente brotos de folhas começam a se abrir e uma nova estação começa, repleta de verde.

"BAIU"

Em todo o Japão, com exceção de Hokkaido, o verão é precedido por um período de chuvas chamado "Baiu" (chuva das ameixeiras). Esta temporada chuvosa começa em meados de maio em Okinawa, no sul do arquipélago, e em meados de junho na região de Tohoku na ilha de Honshu, que fica mais ao norte, terminando no início de junho e julho respectivamente. Durante este período, uma frente "Baiu" estaciona ao longo da costa do sul do Japão e chove quase todos os dias, enquanto uma sucessão de pequenas áreas de baixa pressão passa sobre o arquipélago. Na parte inicial da estação chuvosa, chuvisca quase todos os dias, mas por volta do final deste período ocorrem aguaceiros durando várias horas e é sempre presente o risco de danos causados por temporais altamente concentrados. Em julho de 1957, na cidade de Isahaya, na província de Nagasaki, foi um registrado um total de 1.109 milímetros de chuva num período de 24 horas.

VERÃO

O verão é governado pela massa de ar mais quente do mundo, a Massa de Ar do Pacifico Norte, e é uma estação tão quente e úmida quanto a existente nos trópicos.
"Noites tropicais" são aquelas nas quais até mesmo a temperatura mínima fica em 25 graus ou mais; em Tóquio durante o verão de 1987, foram registradas 29 noites deste tipo. A temperatura mais alta já registrada em Tóquio foi de 38,7 graus; a temperatura mais alta registrada no Japão foi de 40,8 graus, na cidade de Yamagata. O clima no verão é influenciado pela zona de alta pressão do Pacífico Norte, de forma que ao mesmo tempo em que é muito úmido, ele é marcado por períodos contínuos de sol, relativamente sem chuva.

A ESTAÇÃO DOS TUFÕES

Áreas tropicais de baixa pressão (ciclones tropicais) são geradas na região tropical setentrional do Oceano Pacífico. Dos cerca de 30 desses ciclones gerados a cada ano, por volta de quatro movem-se em direção ao norte, atingindo o arquipélago japonês. Eles são chamados "taifu" no idioma japonês, de onde deriva a palavra "tufão" em português. Os tufões são as mais numerosas das áreas tropicais de baixa pressão e pedem ter uma força bastante grande. Dentro do "olho", localizado no centro do tufão, a pressão do ar pode cair abaixo de 900 mb, e os ventos nas imediações do "olho" são capazes de atingir 60 metros por segundo.
Os tufões atingem o Japão entre junho e outubro, e os meses de agosto e setembro são considerados corno "a estação dos tufões." Quando um tufão se aproxima, espessas nuvens conhecidas como stratus são formadas, e caem chuvas fortes intermitentes que se transformam em um pesado e contínuo aguaceiro à medida que o tufão chega. Os ventos aumentam em velocidade, e rajadas de vento próximas ao "olho" excedem os 25 metros por segundo. No mar, colunas de água podem ser formadas, com a superfície do mar perto do "olho" elevando-se de 3 a 4 metros.

OUTONO

O enfraquecimento da Massa de Ar do Pacífico Norte que controla o verão traz alternadamente zonas de alta pressão e zonas de baixa pressão, causando o tempo instável característico do outono. As folhas na parte norte do Japão mudam de cor para vermelho e amarelo, criando cenas de grande beleza com as coloridas encostas das montanhas contrastando com os picos cobertos de neve.

UMA ABUNDÂNCIA DE ÁGUA E DE VERDE

O MAR QUE CERCA O PAÍS

A maior massa de água do mundo, o Oceano Pacifico, banha as partes leste e sul do Japão. O Pacífico possui varias correntes importantes; uma das mais conhecidas é a Corrente do Japão, que banha a costa sul do país. Como a Corrente do Pacífico Norte, ela é quente, e flui num ritmo de cerca de 50 milhões de toneladas por segundo. Sua temperatura é bem alta comparada com as águas circundantes, e, nas ilhas do sul, jamais cai abaixo de 20 graus Celsius, mesmo durante o inverno, permitindo o crescimento de recifes de coral. Na verdade, a enorme quantidade de água quente nesta grande corrente ajuda a aquecer o clima japonês. Devido ao seu alto grau de transparência, a corrente tem um aspecto escuro, dando origem ao nome popular "kuroshio", ou maré negra. Esta característica significa também que a cor­rente apresenta baixa concentração de nutrientes, embora ela garanta o sustento de peixes de água quente como o atum e o bonito.
A água fria da Corrente de Chishima dos mares de Bering e Okhotsk banha a costa que se estende desde Hokkaido até a costa de Sanriku, esfriando a água nesses locais durante o verão. Rica em plâncton, ela tem uma coloração esverdeada e barrenta, dando origem ao nome popular "oyashio", ou maré progenitora. Esta corrente é um rico habitat para peixes de água fria como o salmão, a truta e o bacalhau. Outra importante corrente com características semelhantes à da Corrente do Japão é a Corrente de Tsushima, que flui em direção norte no Mar do Japão.

ABUNDANTE SUPRIMENTO DE ÁGUA

O mar em torno do Japão é a fonte do vapor d’água que cai como chuva ou neve, e dá ao país uma das mais altas taxas de precipitação do mundo. Cerca de 600 bilhões de toneladas de chuva e neve caem a cada ano. Cerca de um terço deste total vaporiza-se, mas o restante encharca o solo e alimenta os rios e lagos, retornando eventualmente ao mar. A água subterrânea, devido ao fato de conter poucos minerais, pode ser usada para beber a maior parte das vezes sem qualquer tratamento.
Os rios são relativamente de pequena extensão: o mais longo deles no Japão, o Shinano, tem apenas 367 quilômetros de comprimento.

 Os gradientes dos rios, porém, são exagerados. Muitos deles correm e se arrojam como cachoeiras até chegarem ao mar. O efeito é a ocorrência de grandes mudanças na quantidade do fluxo: o Rio Tone rivaliza em índice de inundação com o Nilo. Os lagos do Japão, que se originam como falhas (como o Lago Biwa) ou como crateras (como o Lago Towada), são numerosos e encontram-se espalhados por todo o país.

VEGETAÇÃO DENSA

Devido ao fato do Japão incluir regiões pertencentes às zonas subtropical, temperada e fria, e por possuir água em abundância, os muitos e diversos tipos de vegetação crescem prolíficamente nas várias regiões do país se não fosse cortada, ela em pouco tempo cobriria todo o território. Pântanos e mangues podem ser encontra­dos nas costas das ilhas meridionais pertencentes á zona subtropical; em Okinawa, mangueiras e abacaxis vicejam próximos aos coloridos peixes que nadam entre florescentes recifes de coral. Em Kyushu, Shikoku e no sul de Honshu, abundam florestas de folhas brilhantes com carvalhos semelhantes a coníferas de folhas largas e chincapins, enquanto que, no norte de Honshu, a as florestas de zona temperada são ricas em árvores efêmeras como faia e bordo. E ainda mais ao norte, as florestas de zona fria de Hokkaido apresentam predominantemente uma mistura de árvores com folhas em forma de agulhas como os pinheiros e árvores efêmeras como a faia branca.

O HOMEM E A NATUREZA

OS RECURSOS OCULTOS DO JAPÃO

Como sugerido anteriormente, o Japão é um país repleto de florestas; na realidade, 67% do território é coberto por árvores, fontes valiosas de materiais de construção e polpa. As terras cultivadas, 13% da área total do território, são ocupadas principalmente com arroz e uma variedade de outras culturas variando da batata, no norte, à cana-de-açúcar no sul.
As terras dedicadas à criação de animais, em contraste, representam meros 1,60% do total, embora isto não se deva à inadequação do clima. As terras ocupadas com pastagens produzem um rendimento por área superior ao das terras comparáveis na Europa, enquanto que a pastagem em pastos montanhosos, como ocorre na Suíça, é considerada viável. Mas as terras não são utilizadas para esta finalidade no Japão porque este tipo de uso não é lucrativo. Além disso, as poucas terras ocupadas com pastos existentes atualmente estão vagarosamente sendo deixadas sem uso com o aumento das importações de produtos animais a preços baratos. A mesma tendência pode ser observada em relação às terras cultivadas. Nas montanhas, as terras cultivadas que foram abandonadas estão voltando a ser florestas, e áreas não cuidadas e cobertas por florestas estão crescendo em número, à medida que a indústria florestal japonesa vem enfrentando a crescente competição representada pela barata madeira importa­da.
A abundância de rios, lagos e água subterrânea existente no Japão, tem servido generosamente às necessidades industriais e agrícolas. Além disso, a grande precipitação nas regiões montanhosas tem sido utilizada para atender também às necessidades de energia, e o Japão atualmente posiciona-se em quinto lugar no mundo em termos de produção hidrelétrica. Mas, apesar desta riqueza de água, a enorme demanda, em particular nas cidades, tem criado situações de escassez e levou ao aumento dos esforços de conservação e à construção de novos reservatórios.
Embora o Japão seja um grande importador de matérias-primas, o país não é desprovido de seus próprios recursos minerais subterrâneos. Existe uma variedade bastante ampla desses recursos, mas os depósitos são geralmente pequenos e difíceis de explorar. Embora carvão, enxofre e gás natural sejam relativamente abundantes, os altos custos de mineração estão tornando inviável a competição com importações mais baratas, como evidenciado pelo fechamento de uma mina após a outra. A questão de utilizar seus recursos domésticos é de grande importância para o Japão.
Outro valioso recurso é a beleza do próprio país. As cordilheiras de montanhas do Japão, acidentadas e de aparência alpina, e os graciosos vulcões rodeados por lagos e as numerosas fontes termais oferecem retiros de descanso bem vindos para os japoneses cansados com a vida nas cidades. A extensa costa litorânea do país, muitas vezes pontilhada com ilhas pitorescas e dramaticamente variada, é não menos atrativa. A diversidade dos muitos tipos de vegetação à medida que muda sua coloração, faz de todas as estações um prazer de se contemplar. Com seu inerente amor pela natureza, os japoneses têm tido a oportunidade de extasiar-se com a beleza do país durante centenas de anos e, com a melhora das condições econômicas, eles têm visto esta oportunidade tornar-se ainda maior.
A indústria de turismo está florescendo; mesmo as dificuldades do inverno tornaram-se um recurso valioso e lucrativo com a expansão das estações de esqui. Mas, como ocorre com a maior parte das formas de desenvolvimento, o turismo tem seu preço, e preocupações têm sido expressadas sobre os danos consideráveis ao ambiente natural. Estão sendo procuradas formas de tirar partido desses recursos valiosos ao mesmo tempo em que se protege e se conserva a natureza.

SUPERANDO CALAMIDADES NATURAIS

O Japão tem sido há muito tempo atingido pelas calamidades naturais. No Grande Terremoto de Kanto, em 1923, cerca de 100.000 pessoas morreram. Quando o Monte Sakurajima entrou em erupção, em 1914, a lava literalmente cobriu uma pequena vila no seu sopé, causando 62 mortes. Grandes marés durante o Tufão da Baía de Ise em 1959 mataram 5.000 pessoas, enquanto que as fortes chuvas de 1982 provocaram um deslizamento de terra que causou a morte de 300 residentes de Nagasaki.
Vulcões, terremotos, tufões e a concentração anormalmente alta de chuvas são ocorrências da vida, sobre as quais os japoneses têm pouco controle. Por este motivo, uma das maiores preocupações do país é enfrentar de maneira efetiva tais desastres. Métodos estão sendo desenvolvidos para predizer com sucesso erupções vulcânicas e grandes terremotos, e para salvar vidas através da remoção das pessoas a tempo. O aperfeiçoamento da construção de prédios, enfatizando técnicas contra incêndios e terremotos está sendo promovido para fazer com que os danos sejam os menores possíveis. Formas também estão sendo pesquisadas para evitar inundações e avalanches de lama, através da elevação de barragens, construção de barreiras de terra, e assim por diante.
Privilegiado com tal riqueza de belezas naturais, o Japão está determinado a promover ainda mais e aperfeiçoar os benefícios existentes no país. Mas a nação está igualmente determinada a superar e controlar ao máximo possível a terrível ira da natureza, tornando isto assunto deimportância nacional.
Fonte: Embaixada do Japão no Brasil

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