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Meu trabalho: Reconhecimento vem dos japoneses

Josemar e HelenaJosemar e Helena Mitiko Amorim sabem como ninguém a importância do reaproveitamento de materiais. O casal trabalha há mais de dez anos em uma fábrica de reciclagem de garrafas PET, em Kanagawa. Esse polímero termoplástico utilizado na fabricação de garrafas e alguns tipos de tecidos pode se manter até 750 anos na natureza.

A coleta e a reciclagem do material ajudam o meio ambiente e geram empregos. Para o casal Amorim, essa atividade também traz muitas recompensas. ¨Uma das maiores alegrias foi quando uma senhora japonesa me agradeceu pelo trabalho que eu realizo. Isso faz a gente se sentir imortante¨, diz Josemar.

A esposa Helena foi quem veio primeiro ao Japão, em 89, porque queria conhecer a terra dos pais. A mãe que emigrou de Hokkaido chegou a visitar a terra natal. O pai, de Fukui, não teve essa oportunidade. Ele morreu um mês depois que Helena chegou ao país. ¨Foi difícil, pensei em desistir de tudo, mas aí eu me lembrei do que ele tinha me dito: se você tem um plano traçado, precisa seguir em frente¨.

Todos os oito irmãos de Helena vieram para cá, mas só ela permaneceu. Se contabilizar, já são 24 anos vivendo nesse país. O marido tem 17 anos de Japão, entre várias idas e vindas. Ex-bancário, Josemar pediu licença do banco em 1991 para se encontrar com a mulher, deixando as duas filhas sob os cuidados de familiares no Brasil.

A primeira parada de Josemar foi em uma fábrica de peças para fogão, em Nagano. ¨Lá eu vi neve pela primeira vez. Foi uma emoção muito grande! Eu na fábrica, suando, e a neve caindo lá fora. Esse cenário me marcou muito.¨

Na primeira volta ao Brasil, ele decidiu pedir demissão do banco para começar no ramo de banca de jornal no bairro da Liberdade, em São Paulo. ¨Só que eu tinha pouco tempo para as meninas. Foi por isso que decidi retornar ao Japão para reunir toda a família¨, lembra.

Débora, então com 8 anos e Bruna, com 12, foram estudar em escola japonesa no bairro de Tsurumi, em Yokohama (Kanagawa). O casal tinha as preocupações comuns de brasileiros com filhos adolescentes. ¨Sinto que acabamos atrapalhando os estudos delas. Foi difícil, mas todos amadureceram com o choque cultural, a separação. A vida também nos ensinou a valorizar as coisas boas¨, diz Helena. As filhas atualmente vivem no Brasil, enquanto o casal continua batalhando com reciclagem de garrafas PET.

¨Entramos quase na inauguração da fábrica¨, lembra Josemar. Nessa época, já se falava muito em sustentabilidade e preservação do meio ambiente. ¨Esse setor ainda vai expandir muito¨, aposta. A fábrica recicla em média 400 toneladas de garrafas por dia.

Durante o processo, as embalagens passam por lavagem e prensagem, antes de virar fardos para serem triturados e transformados em fios de poliéster ou produtos plásticos, como por exemplo, novas embalagens.

Josemar fica no final da linha operando uma empilhadeira. Em média, recolhe por dia 40 sacos com 500 kg cada de material. A jornada diária é de doze horas, no esquema 4 x 2. ¨Parece puxado, mas a hora passa muito rápido¨, diz. A esposa Helena faz a seleção e separação de material no setor de controle de qualidade.

O casal não pensa tão cedo deixar o Japão. Josemar tem ainda um sonho, que não conseguiu realizar por causa do tipo de trabalho. ¨Quero subir o Monte Fuji, mas a temporada para a escalada coincide com o período em que estamos mais ocupados. É no verão que aumenta o volume de garrafas PET para reciclar.¨
Fonte: IPC Digital

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